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Updated 2026-08-30

Por que as mesmas marcas de charuto existem em versões cubana e não cubana?

Porque, entre 1959 e 1960, o governo revolucionário de Cuba nacionalizou todas as fábricas de charuto da ilha, e as famílias por trás de marcas como Cohiba, Montecristo, Partagás e H. Upmann perderam o direito de fabricá-las ali. Muitas reconstruíram os mesmos nomes no exterior. O resultado, válido até hoje: um rótulo, dois charutos sem relação entre si, feitos em países diferentes por empresas diferentes.

O que aconteceu de fato em 1959?

Antes da revolução, a indústria cubana de charutos era um conjunto de fábricas privadas, várias delas fundadas ainda na década de 1840, erguidas em sua maioria por famílias de imigrantes espanhóis e de outros países europeus que haviam se estabelecido em Havana e em Pinar del Río. Em 15 de setembro de 1960, o novo governo nacionalizou a indústria por completo. Os donos da Partagás e da H. Upmann perderam suas fábricas naquele dia, entre dezesseis confiscadas de uma só vez; o Estado ficou com os prédios e também com as marcas registradas.

As pessoas que haviam construído as marcas em geral foram embora: para a Flórida, por um breve período para as Ilhas Canárias, na Espanha, e por fim, para a maior parte da indústria, para a Nicarágua, Honduras e a República Dominicana, países com um clima próximo o bastante do cubano para cultivar uma planta aparentada, ainda que nunca exatamente no mesmo solo. Esses exilados são a principal razão da existência de uma indústria de charutos do "Novo Mundo". (Para entender como essa diferença de solo se manifesta na folha, veja Cuba x terroir do Novo Mundo.)

Duas coisas diferentes aconteceram então com dois tipos diferentes de marca. Os nomes cubanos antigos e já famosos — Partagás, H. Upmann, Romeo y Julieta, Montecristo — viraram objeto de disputa, e cada um existe hoje como dois charutos separados que dividem um mesmo rótulo. Famílias que se exilaram mais tarde pularam essa briga e criaram nomes inteiramente novos.

Quem faz a versão cubana hoje, e quem é dono da outra metade?

Todo charuto vendido sob uma marca cubana é feito pela Habanos S.A., criada em 1994 como fabricante e exportadora exclusiva de charutos de Cuba. Ela sempre teve um sócio minoritário estrangeiro: a empresa franco-espanhola Altadis comprou uma participação de 50% em 2000, e a britânica Imperial Tobacco (depois Imperial Brands) herdou essa fatia ao adquirir a Altadis em 2008. Reportagens de 2020 descrevem a venda dessa participação pela Imperial, embora nem toda fonte de referência registre a venda, de modo que não há consenso sobre quem a detém hoje — e este texto não vai adivinhar.

O que está bem estabelecido é mais simples e mais útil: o outro braço da Altadis, a Altadis U.S.A., é dona integral das versões não cubanas de H. Upmann, Montecristo e Romeo y Julieta, feitas na República Dominicana. Ou seja, por anos, um mesmo grupo empresarial esteve nos dois lados da linha cubano/não cubano em três desses quatro nomes, sem que os charutos em si jamais virassem um único produto. Folha diferente, enrolada em fábricas diferentes: propriedade e charuto físico se revelaram questões separadas.

Os quatro nomes que hoje existem em dobro

Casa Fundação Fundador Versão cubana feita por Versão não cubana feita por
Partagás 1845 Jaime Partagás Habanos S.A. (Cuba) General Cigar Co. / Scandinavian Tobacco Group (República Dominicana)
H. Upmann 1844 Hermann Upmann Habanos S.A. (Cuba) Altadis U.S.A. (República Dominicana)
Romeo y Julieta 1875 Inocencio Álvarez e Manín García Habanos S.A. (Cuba) Altadis U.S.A. (República Dominicana)
Montecristo 1935 Alonso Menéndez Habanos S.A. (Cuba) Altadis U.S.A. (República Dominicana)

Três dos quatro seguiram o mesmo caminho: após a nacionalização, os direitos nos Estados Unidos acabaram nas mãos do grupo que veio a se tornar a Altadis, cuja fábrica em La Romana, na República Dominicana, produz os três hoje. O fundador da Montecristo, Alonso Menéndez, e os donos da H. Upmann fugiram em 1960 e primeiro tentaram relançar as marcas nas Ilhas Canárias, antes de o negócio se reorganizar por lá.

A Partagás tomou outro rumo. Ramón Cifuentes, que administrava a marca, foi afastado sem qualquer indenização em 1960. Mais tarde, ele relançou a Partagás nos Estados Unidos com a General Cigar Company, que registrou a marca norte-americana em 1978 e transferiu a produção — depois de uma breve passagem pela Jamaica — para a República Dominicana em 1979. A General Cigar pertence hoje ao grupo dinamarquês Scandinavian Tobacco Group: um grupo empresarial distinto daquele por trás dos outros três.

O nome Romeo y Julieta é simplesmente "Romeu e Julieta" em espanhol, a peça de Shakespeare.

Como a Cohiba pode estar dividida se nenhuma família foi dona dela?

A Cohiba não se encaixa no padrão do exílio, porque não havia Cohiba alguma para nacionalizar em 1959: a marca ainda não existia. Segundo o próprio relato posterior de Fidel Castro, o charuto de um guarda-costas o impressionou a tal ponto, em meados da década de 1960, que o Estado localizou o torcedor e construiu uma fábrica dedicada, a El Laguito, para fornecer o blend a Castro e a altos funcionários. O monopólio estatal cubano do tabaco colocou a Cohiba à venda ao público pela primeira vez em 1982.

A Cohiba não cubana existe por um motivo mais restrito. A General Cigar Company havia registrado "Cohiba" como marca nos Estados Unidos já em 1978, quatro anos antes de a versão cubana ser vendida a qualquer pessoa, e começou a vender um charuto feito na República Dominicana com esse nome. A empresa estatal cubana de tabaco processou a General Cigar para reaver o nome, uma vez que as duas passaram a competir diretamente, e perdeu: um tribunal federal de apelações decidiu a favor da General Cigar em fevereiro de 2005, e a Suprema Corte se recusou a julgar um novo recurso em junho de 2006. A Cohiba da General Cigar ainda traz um aviso de que não tem qualquer ligação com a marca cubana de mesmo nome.

Por que não existe mais um Davidoff cubano?

Nem todo nome na prateleira leva hoje uma vida dupla. A Davidoff é o caso em que Cuba simplesmente perdeu a marca por inteiro. Zino Davidoff, tabacaria de Genebra, passou a colocar seu nome em charutos feitos em Cuba a partir de 1968, enrolados na mesma fábrica El Laguito que produzia a Cohiba. A parceria terminou mal: em agosto de 1989, Davidoff queimou publicamente mais de 100 mil charutos que julgou não serem bons o suficiente para levar seu nome e, em 1991, a produção cubana de Davidoff cessou por completo, de comum acordo.

A produção mudou então para a República Dominicana e, mais tarde, também para Honduras, sob o que é hoje o Oettinger Davidoff Group, de Basileia, na Suíça. Nenhum Davidoff cubano foi feito desde então. Para esse nome, a versão não cubana não compete com uma rival cubana: ela é, simplesmente, a única que restou.

Por que algumas famílias exiladas criaram nomes novos?

Nem todo exilado tinha uma marca registrada pela qual valesse a pena brigar. Algumas das figuras mais decisivas da indústria moderna do Novo Mundo saíram de Cuba tendo uma fazenda ou um emprego de fábrica, não uma marca global, e recomeçaram sob o próprio sobrenome.

Nenhuma dessas quatro tem uma contraparte cubana disputando o nome, porque nenhuma é a continuação de algo que o Estado hoje possui. Elas são um ramo à parte do mesmo deslocamento.

Quais casas não têm nenhuma história com Cuba?

Dois nomes merecem entrar aqui pelo motivo oposto: nada do que houve em 1959 os alcança. A Toscano remonta a uma fábrica estatal de tabaco fundada no Grão-Ducado da Toscana em 1818, usa tabaco fermentado de semente Kentucky curado sobre fogo de carvalho e faia, e não a folha de semente cubana de que trata toda esta história, e segue sendo feita na Itália até hoje. A Villiger foi fundada em 1888 por Jean Villiger no vilarejo suíço de Pfeffikon e continua sob comando familiar cinco gerações depois, conhecida sobretudo por charutos e cigarrilhas feitos à máquina, e não pela categoria de enrolados à mão de que trata o resto desta história.

Vale notar também que nada disso aparece na anilha. Um nome impresso não diz qual de duas fábricas sem relação entre si enrolou o charuto que está na sua mão — uma das razões pelas quais o texto da anilha, sozinho, é um sinal mais fraco do que as pessoas imaginam, ponto abordado em por que scanners de charuto baseados só na anilha falham.

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